Ideias de tatuagem

Tatuagem de corvo: significado, desenhos e o preto que se lê

Por Atualizado em

Blackwork, ilustrativo e tradicional, construídos sobre o espaço vazio em vez do preto chapado. O preto pesado cicatriza melhor na pele plana e parada, então a dobra do cotovelo e o dorso da mão são os lugares a evitar. E o corvo que o Brasil conhece é outro pássaro.

Toque em qualquer desenho para vê-lo na sua própria pele no simulador, sem cadastro.

Esta série de 26 desenhos de corvo, em números

Estilos representados
ilustrativo (11), neotradicional (3), tradicional (3), linework (2), sketch (2), aquarela (1)
Preto e cinza ou colorida
65% em preto e cinza, 35% coloridas
Quase sempre desenhado junto com
pássaro, chave, árvore

Contado sobre os 26 desenhos que aparecem nesta página. Todos foram criados para o InkCraft; nenhum é copiado ou repostado. Você pode citar estes dados linkando para esta página.

O que significa uma tatuagem de corvo

O corvo é um símbolo de inteligência antes de ser um símbolo de morte, e quem escolhe um em geral sabe disso. Os corvos usam ferramentas, reconhecem rostos humanos individuais por anos e estão entre os pouquíssimos animais que parecem planejar o futuro; a ave representa, portanto, um tipo particular de esperteza vigilante e sem sentimentalismo, e não a sabedoria no sentido da coruja. A leitura nórdica é a mais específica: Huginn e Muninn, Pensamento e Memória, saíam a cada dia e voltavam para contar a Odin, e um par de corvos é uma referência direta a isso, e não uma escolha decorativa. Dizia-se que Odin temia que Muninn não voltasse, uma imagem de perda de memória que fala a muita gente que tatua o par, e no Brasil o par de corvos com o nome de um pai com Alzheimer existe.

O Brasil não tem corvo, e essa é a conversa que o tatuador tem antes de desenhar. A ave preta que o brasileiro conhece de infância é a graúna, aquela dos cabelos de Iracema, mais negros que a asa da graúna, no romance de José de Alencar; é o anu-preto dos pastos e das beiras de estrada; e é o urubu, que planeja sobre toda cidade do país e que, no Rio, é o Flamengo, o mascote da maior torcida do Brasil. Um pássaro preto tatuado por um carioca pode ser lido como urubu rubro-negro antes de ser lido como Odin, e vale saber. O corvo tatuado no Brasil é, quase sempre, o europeu, importado pelos livros e pelo blackwork, e não há problema nisso: ele diz leitura, gótico e Poe, e diz isso de propósito.

A associação com a morte é real, mas mais estreita do que a fama sugere. Os corvos seguem lobos e exércitos porque os dois produzem carniça, então a ave virou presságio de batalha por proximidade, e não por natureza. Um corvo num campo de batalha é reportagem; um corvo como presságio de morte é um enfeite literário posterior. Poe fixou a versão melancólica moderna em 1845, e o Brasil a leu em duas das traduções mais famosas do poema, a de Machado de Assis, de 1883, e a de Fernando Pessoa, de 1924, com o “nunca mais” que todo estudante de literatura conhece. Vale saber que um corvo pousado e encarando está citando esse poema, pretenda você ou não. Um corvo em voo, ou um par, se lê como nórdico. A pose faz mais trabalho aqui do que em quase qualquer outro assunto.

O corvo tem ainda o lado do gótico brasileiro, que existe e tem endereço. Ele é a ave das capas de disco de metal, dos coletes de couro e das festas góticas da Augusta e da Lapa, e o corvo com a lua, com a caveira ou com a chave é a peça dessa tribo há trinta anos, feita em preto sólido quando o blackwork ainda não tinha nome. O corvo com a rosa é a versão romântica, e o corvo com o relógio de bolso, a do tempo que passa vigiado. Todas elas dependem de uma coisa só: que o preto tenha vazio dentro, ou em dez anos o pássaro vira uma sombra.

De onde vem o desenho

Os corvos carregam significado nas tradições nórdica, celta, haida e tlingit de forma independente; na arte do noroeste do Pacífico o Corvo é uma figura criadora e trapaceira, uma linhagem distinta da europeia e desenhada num estilo de linha de forma completamente diferente. Edgar Allan Poe publicou O Corvo em 1845 e deu à ave a sua associação moderna com o luto e a insônia, e o Brasil o recebeu por Machado de Assis e por Fernando Pessoa, o que fez do poema matéria de escola e o corvo, referência de todo leitor. Na tatuagem, os corvos em blackwork pertencem em grande parte às duas últimas décadas e se apoiam nas convenções da xilogravura e da gravura, e não no flash; no Brasil eles subiram com o blackwork ilustrativo de São Paulo dos anos 2010, junto com a mariposa e a caveira.

Como escolher a sua

  • Um corvo é um pássaro preto, o que parece simples e é a parte mais difícil. O preto sólido perde todo o detalhe interno quando se espalha, então um bom desenho usa o espaço vazio, os vãos deixados na plumagem, para manter a forma legível. O tatuador que planeja o branco é o que você deve marcar, e a foto cicatrizada é a que prova isso.
  • Pousado e em voo são tatuagens diferentes com lugares diferentes. Um corvo pousado é compacto e vertical e combina com um antebraço ou uma panturrilha. Um pássaro em voo é largo e quer um campo amplo: peito, escápula, costas altas. O corvo que encara, de Poe, é pousado; os de Odin voam.
  • Se você quer o par nórdico, planeje os dois de uma vez. Dois corvos desenhados juntos se equilibram; um segundo acrescentado depois quase nunca assenta direito, porque o primeiro foi composto como assunto único, e o par de Pensamento e Memória em dois braços diferentes é uma peça de casal que existe.

Tamanho, preço e parte do corpo

Que tamanho tem e quanto custa

Um corvo em blackwork com dez a doze centímetros é uma peça de duas a três horas; a maior parte do tempo vai para a estrutura das penas, e não para preencher o preto. Um pássaro ilustrativo grande em voo, ou o par nórdico, é uma sessão inteira. O preto sólido é mais lento de fechar limpo do que se espera e muitas vezes precisa de retoque, e o corvo pequeno de contorno fica no valor mínimo do estúdio.

Onde fica bem e quanto dói

Corvos pousados combinam com o antebraço, a panturrilha externa e a lateral da costela. Pássaros em voo querem largura: peito, escápula, costas altas. As áreas de preto pesado cicatrizam melhor na pele mais plana e menos móvel, então evite a dobra do cotovelo e o dorso da mão, onde o preto racha na cicatrização e falha depois.

O que perguntar ao seu tatuador

  • Como ele mantém a forma legível em preto sólido; a resposta deve envolver espaço vazio na plumagem, e não mais preto.
  • Pousado ou em voo, porque combinam com lugares opostos e citam tradições diferentes.
  • Se você quer o par nórdico, que ele desenhe os dois agora, mesmo que só um seja tatuado hoje.

Os preços mudam muito de cidade para cidade e de tatuador para tatuador; leia estes valores como duração de sessão, não como orçamento, e conte com um valor mínimo de estúdio em qualquer peça pequena.

Perguntas frequentes

Tatuagem de corvo significa morte?

Menos do que a fama sugere. Os corvos seguiam exércitos e lobos porque os dois produzem carniça, então o presságio é por associação. Os significados mais antigos são inteligência e memória, e o corvo de Poe é luto e insônia, não morte. No Brasil, onde o pássaro preto de verdade é o urubu, o corvo diz sobretudo leitura e gótico.

O que significam dois corvos?

Huginn e Muninn, Pensamento e Memória, os corvos de Odin, que saíam pelo mundo e voltavam para contar o que viram. Um par é uma referência nórdica direta, e a metade da memória fala a muita gente que o escolhe: o par de corvos com o nome de um avô que esqueceu é uma tatuagem que os estúdios brasileiros já fizeram mais de uma vez.

Corvo, gralha ou urubu?

Os corvos são maiores, com a cauda em cunha e o bico mais pesado; as gralhas têm a cauda em leque; e o urubu, que é o pássaro preto que o Brasil de fato tem, é um abutre de cabeça pelada que no Rio se lê como Flamengo. Os tatuadores desenham os três de jeitos diferentes, e vale dizer qual você quer, porque um pássaro preto genérico vai virar um deles no decalque.

O corvo pousado é o de Poe?

É, queira você ou não. Um corvo pousado e encarando, ainda mais com uma lua ou um busto atrás, cita O Corvo de 1845 para qualquer leitor, e o “nunca mais” de Machado e de Pessoa vem junto. Se a ideia é a inteligência ou a memória, e não o luto, o corvo em voo ou o par são as poses que se leem de outro jeito.

Dá para ver o corvo no meu antebraço antes de decidir a pose?

Dá. Fotografe o antebraço e o peito com boa luz e suba as imagens no simulador do InkCraft: o corvo pousado se testa no membro e o corvo em voo no campo largo, e você vê no tamanho escolhido se a forma ainda tem vazios entre as penas ou se virou uma mancha preta. O que fica preto na tela fica preto na pele.

Veja na sua pele antes de decidir

O InkCraft coloca qualquer um destes desenhos sobre uma foto sua, ajustado e envolvido na parte do corpo que você escolher, para você julgar antes que seja permanente.

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