Parte do corpo

Tatuagem na canela: ideias, desenhos e a dor de verdade

Por Atualizado em

A canela é uma tábua de osso coberta por pele fina, e isso a torna ao mesmo tempo um dos melhores painéis do corpo para desenho reto e uma das sessões mais duras. Num país de bermuda o ano inteiro, é também das tatuagens que mais aparecem.

Cada par é a mesma tatuagem: o desenho como foi criado e uma foto desse mesmo desenho na canela.

Estas 25 tatuagens na canela, em números

Estilos representados
ilustrativo (5), neotradicional (4), blackwork (2), pontilhismo (2), oriental (2), linework (2)
Preto e cinza ou colorida
64% em preto e cinza, 36% coloridas
Fotografadas em
15 corpos femininos e 10 masculinos

Contado sobre as 25 tatuagens que aparecem nesta página. Cada desenho foi criado para o InkCraft e fotografado nesta parte do corpo; nenhum é copiado ou repostado. Você pode citar estes dados linkando para esta página.

Como fica uma tatuagem na canela?

Do joelho ao tornozelo, a tíbia corre encostada na pele. A face medial do osso, a que fica virada para a outra perna, não tem músculo nenhum por cima, só periósteo e pele; a face lateral tem o tibial anterior, um músculo estreito que dá um leve relevo e se contrai quando você levanta a ponta do pé. Essa diferença é sutil na aparência e enorme na cadeira. Fora ela, a região é o mais perto de uma prancha que o corpo oferece: quase não estica, não dobra, não roda. É a região onde a geometria mais confia no corpo: o que o decalque marca de manhã é o que a pele vai mostrar por décadas, sem dobra que estique nem músculo que empurre, e uma coluna de ornamento encaixada entre a patela e o maléolo se lê de uma vez só, sem precisar dar a volta.

A pele da canela é fina e leva uma vida dura. Pega sol de bermuda, chinelo e futebol de fim de semana; leva canelada em quina de mesa e em porta de carro; e nos homens tem pelo, que o tatuador raspa antes da sessão e que volta em poucas semanas por cima do desenho. Tudo isso pesa a favor de um traço um pouco mais grosso do que você escolheria para a coxa: uma linha muito fina sobre osso e sob sol frequente costuma abrir e clarear antes do que a mesma linha numa região protegida. O bronzeado também entra na conta, porque pele mais escura reduz o contraste de qualquer sombreado claro.

A forma pede composição vertical. Um desenho alto e estreito, que parte de baixo do joelho e resolve acima do tornozelo, usa o que a canela tem de melhor; um motivo redondo no meio da tíbia deixa dois palmos de pele vazios em cima e embaixo, e isso se nota. Dois limites merecem decisão consciente. Em cima, a tuberosidade da tíbia, a saliência logo abaixo da patela onde se apoia o joelho no chão, é um ponto de osso puro em que a tinta pega mal. Embaixo, o maléolo e o tendão exigem um fechamento pensado, porque a perna afina depressa nesse trecho. Se a ideia é fechar a perna um dia, a canela é o painel central desse projeto, e a primeira peça deve deixar as bordas prontas para receber a panturrilha e a coxa.

Dor e cicatrização

Não existe jeito suave de dizer: a canela dói, e dói de um jeito próprio. A agulha encontra a tíbia quase sem amortecimento, e o que se sente é uma vibração que desce até o pé e continua igual na segunda hora; ao contrário da coxa, aqui o tempo não ajuda. Poucos aguentam mais de duas ou três horas de uma vez, e por isso quase toda peça grande se divide em visitas. A cicatrização, em troca, é fácil: a região não dobra e é simples de lavar. As pernas incham depois da sessão, principalmente se você passa o dia seguinte em pé ou no ônibus, então deixar a perna erguida à noite ajuda mais do que qualquer pomada.

Tatuagem na canela feminina

O pedido mais comum é o ramo vertical na face lateral: folhas de eucalipto, lavanda, um galho de cerejeira ou uma serpente fina que sobe do tornozelo até a metade da canela, em fine line, com dez a vinte centímetros de altura. Funciona porque aparece inteiro com saia, shorts e vestido e desaparece completamente sob a calça. Uma frase em cursiva ao longo da tíbia também é frequente, e aqui a pele plana ajuda a caligrafia a continuar legível com os anos. Vale um aviso honesto sobre o traço: a linha muito fina que envelhece bem na parte interna do braço pede mais espessura aqui, porque o sol da bermuda e o osso embaixo não perdoam. Peça ao tatuador para engrossar o mínimo necessário, e não mais.

Tatuagem na canela masculina

Nos homens a canela raramente é uma peça isolada; ela costuma ser o painel central de uma perna que vai ser fechada, e por isso a primeira decisão é onde a composição para em cima e embaixo. Predominam o blackwork ornamental, a geometria e o estilo oriental, com carpas, ondas e crisântemos que se leem de longe em preto sólido; o realismo em preto e cinza também aparece, apoiado na estabilidade da superfície. O pelo volta por cima do desenho e escurece um pouco a leitura, o que favorece contraste alto e áreas fechadas em vez de sombreados delicados. E há a bermuda: em boa parte do Brasil ela é roupa de onze meses do ano, então a canela masculina é, na prática, uma das tatuagens mais vistas que existem.

Como escolher o desenho

  • Desenhe para os trinta centímetros que existem entre o joelho e o tornozelo; a canela é o trecho mais reto da perna e recompensa quem usa o comprimento inteiro.
  • Peça um traço um ponto mais firme do que o do seu braço: entre o sol de bermuda e o osso logo abaixo, a linha muito fina é a primeira coisa que a canela apaga.
  • Evite centrar o desenho na tuberosidade da tíbia, a saliência abaixo do joelho, onde a tinta pega mal e o retoque é quase certo.
  • Planeje o fechamento embaixo, onde a perna afina rumo ao maléolo; um desenho que termina abruptamente ali parece que acabou o espaço.
  • Marque duas ou três sessões curtas em vez de uma longa, e combine antes com o tatuador o ritmo das pausas.

Tamanho, preço e quem vai ver

Que tamanho tem e quanto custa

Uma peça média na face lateral costuma se resolver em uma sessão de duas horas; um painel completo, do joelho ao tornozelo, quase sempre se divide em duas ou três visitas, e quem decide o número de visitas é a sua tolerância à vibração, não o tatuador. Como cada visita começa com decalque, posicionamento e raspagem, dividir custa um pouco mais em tempo total do que fazer a mesma área de uma vez na coxa. Um símbolo pequeno cai no valor mínimo do estúdio. O que mais soma horas aqui é o preenchimento sólido, porque sobre osso o tatuador trabalha em passadas mais curtas.

Quem vai ver

Calça comprida esconde tudo e bermuda mostra tudo, e no clima brasileiro a segunda opção vence na maior parte do ano. Em escritório, consultório ou repartição a canela quase nunca aparece; na praia, no futebol de sábado e no churrasco ela é a primeira tatuagem que os outros veem. Na partida de fim de semana, a caneleira cobre exatamente o desenho. E da cadeira é uma das poucas tatuagens que você consegue olhar sem espelho, o que pesa para quem gosta de ver a própria peça todo dia.

O que perguntar ao seu tatuador

  • Dá para dividir esta peça em duas sessões, e onde seria o corte natural?
  • Você engrossaria alguma linha por causa da pele fina sobre o osso?
  • Como aproveitar a altura inteira em vez de centrar o desenho no meio da canela?
  • Se eu fechar a perna depois, esta peça deixa espaço para a panturrilha e para a coxa?

Os preços mudam muito de cidade para cidade e de tatuador para tatuador; leia estes valores como duração de sessão, não como orçamento, e conte com um valor mínimo de estúdio em qualquer peça pequena.

Perguntas frequentes

Tatuagem na canela dói muito?

Dói, e é honesto dizer isso logo. Entre a pele e a tíbia não há músculo para absorver a agulha, e o que se sente é um zumbido dentro do osso que não alivia com o tempo. A maioria das pessoas resolve isso com sessões de até duas horas e uma pausa a cada trinta ou quarenta minutos. Fica atrás da costela e do pé, mas na frente de quase todo o resto.

Canela ou panturrilha, se eu não consigo decidir?

Panturrilha, se o conforto pesa mais: há músculo de sobra e um desenho arredondado assenta na curva. Canela, se a peça é alta, simétrica e depende de linha reta, porque nada ali se mexe. Um mesmo desenho raramente cabe bem nas duas, uma é redonda e a outra é plana. Quem nunca sentou para uma sessão sobre osso costuma começar pela panturrilha e guardar a canela para depois.

A tatuagem na canela envelhece bem?

Costuma envelhecer bem, com uma ressalva. A superfície não estica nem dobra, então o desenho não deforma; o que pesa é a pele fina sobre o osso e o sol frequente de quem usa bermuda, que clareiam uma linha muito fina antes do tempo. Traço um pouco mais firme, protetor solar no verão e um retoque depois de alguns anos mantêm a peça nítida por décadas na maioria dos casos.

Posso jogar bola ou ir à praia depois de tatuar a canela?

Espere. Nas duas primeiras semanas a pele está aberta, e areia, água do mar, piscina e o atrito da caneleira são exatamente o que ela não quer. O suor de uma partida também irrita e o sol direto mancha uma tatuagem em cicatrização. O tatuador costuma liberar a caminhada no dia seguinte e o esporte de contato só depois que a casca cair inteira, o que leva em geral de dez a quinze dias.

Consigo ver como a tatuagem fica na minha canela antes de marcar?

Consegue, com uma foto sua. Você fotografa a perna de pé, envia ao simulador do InkCraft e ajusta o desenho em 3D sobre a própria pele, direto na tela do celular, para conferir se a altura aproveita a canela ou se a peça fica pequena para o osso. É uma prévia para decidir tamanho e posição; o decalque do estúdio é quem dá a palavra final.

Veja na sua própria canela antes de decidir

O InkCraft coloca qualquer um destes desenhos sobre uma foto sua, ajustado e envolvido na parte do corpo que você escolher, para você julgar antes que seja permanente.

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