Remoção de tatuagem: laser, valor e sessões
Por Uladzimir TumanauAtualizado em
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Remoção de tatuagem é quase sempre possível, só não é rápida: o laser quebra a tinta aos poucos, em sessões separadas por semanas, e o próprio corpo faz o resto. Antes de pagar a primeira, conheça os cinco caminhos e o preço de cada um.
Tem como tirar tatuagem? Os cinco caminhos
Clínica de laser fala de remoção, estúdio fala de cover up, e raramente um dos dois explica a opção que manda você para o outro. Na prática existem cinco saídas: conviver com a tatuagem, clarear com laser e cobrir depois, cobrir direto, remover por completo ou fechar a área de preto. Cada uma tem prazo, preço e consequência diferentes, e a escolha certa depende mais da tatuagem antiga do que da pressa de se livrar dela.
A primeira opção é a que quase ninguém considera. Boa parte do arrependimento vem do tamanho ou do lugar, não do desenho, e uma peça que incomoda aos três meses muitas vezes já passa despercebida depois de um ano. Nenhum dos outros caminhos fica mais difícil se você esperar um semestre, então dar esse prazo a si mesmo não custa nada.
Cobrir direto é o mais rápido e o mais barato, mas só funciona quando a tatuagem velha é pequena, clara ou já desbotada. Clarear antes, com duas a cinco sessões de laser, e tatuar por cima depois é a resposta habitual para uma peça escura ou densa, porque devolve quase toda a liberdade de desenho. A remoção completa é o único caminho que termina com a pele vazia, ou quase, e também o mais longo, de um a dois anos. O blackout cobre qualquer coisa em poucas sessões e, em troca, fecha para sempre as outras opções naquele pedaço de pele.
Remoção de tatuagem a laser: como funciona
Os aparelhos usados para isso, os lasers Q-switched e, cada vez mais, os de picossegundos, disparam pulsos de luz curtíssimos num comprimento de onda que a tinta absorve e a pele em volta quase não. A partícula de pigmento esquenta mais rápido do que consegue dissipar a energia e se parte em fragmentos menores. Quem leva esses fragmentos embora é o sistema imunológico, pela circulação linfática, ao longo das semanas seguintes. Por isso o intervalo entre sessões fica entre seis e oito semanas: o laser só quebra, e a remoção propriamente dita é trabalho do seu organismo.
A cor define a dificuldade. O preto absorve todos os comprimentos de onda e é o que sai com mais facilidade; o vermelho também responde bem. Verde e azul são teimosos e pedem comprimentos de onda específicos que nem toda clínica tem. O amarelo quase não se mexe, e as tintas brancas ou cor de pele podem oxidar com o disparo e escurecer, motivo pelo qual um profissional sério testa primeiro numa área pequena.
A pele brasileira acrescenta uma camada a essa conta. Quanto mais melanina, mais a pele disputa com a tinta a energia do laser, e por isso fototipos mais escuros pedem o comprimento de onda de 1064 nanômetros, energia mais baixa e paciência com um número maior de sessões. Bem conduzido, o tratamento funciona em qualquer tom de pele; mal conduzido, é em pele morena e negra que surgem com mais frequência as manchas claras ou escuras que demoram a sumir.
O corpo também entra na conta. A circulação carrega os fragmentos, então uma peça no tornozelo clareia mais devagar do que a mesma peça no ombro, e o cigarro atrasa o processo. Em 2009, um grupo de dermatologistas publicou a escala de Kirby-Desai justamente para estimar quantas sessões uma tatuagem vai pedir, e ela pontua seis fatores: fototipo, local no corpo, cores, quantidade de tinta, cicatriz já existente e sobreposição a uma tatuagem anterior. Uma tatuagem caseira, toda preta, num ombro de pele clara está no extremo fácil dos seis; uma peça profissional densa, verde e azul, baixa na perna e por cima de outra está no extremo difícil de todos ao mesmo tempo.
Remoção de tatuagem: valor por sessão e quanto custa no total
A cobrança é por sessão, conforme o tamanho da área tratada, e o total quase nunca aparece no anúncio, embora seja o número que interessa. Como ordem de grandeza, em clínicas de capitais brasileiras uma sessão para uma tatuagem pequena, de até uns cinco centímetros, costuma ficar entre R$ 150 e R$ 500; uma peça do tamanho da palma da mão, entre R$ 400 e R$ 1.000; e uma área grande e colorida passa disso com facilidade. Laser de picossegundos, clínica com dermatologista à frente e endereço em bairro nobre empurram o valor para cima.
Agora a multiplicação, que os anúncios mostram em parcelas e quase nunca como soma. Com seis a dez sessões, apagar uma tatuagem pequena pode chegar a algo entre mil e cinco mil reais; com oito a doze sessões, uma do tamanho da palma vai de uns três mil a mais de dez mil reais. São faixas para comparar orçamentos, não preço: o valor que conta é o que a clínica passa depois de examinar a sua tatuagem.
Muitas clínicas vendem pacote fechado, às vezes com sessões ilimitadas até o fim. Sai mais barato do que pagar visita a visita se você pretende mesmo chegar à pele limpa, e é pior negócio se você parar quando a tatuagem já estiver clara o bastante, que é onde muita gente sensata acaba parando. Clarear para um cover up, com duas a cinco sessões, é a compra que mais rende neste guia: devolve quase toda a liberdade de desenho por uma fração do custo da remoção completa. Peça o orçamento por escrito, com o número de sessões estimado, o intervalo entre elas e o que acontece se você desistir no meio.
Remoção de tatuagem em 1 sessão: dá certo?
Remoção completa em uma sessão, na prática, não existe, e quem promete isso merece desconfiança. O primeiro disparo quebra só a camada de pigmento que a luz alcança naquele dia; a tinta mais funda continua lá, protegida pela de cima, e só fica acessível depois que o corpo limpa os fragmentos. É por isso que mesmo os aparelhos mais modernos trabalham em série, e não numa visita só.
O que uma sessão faz, e às vezes basta, é clarear. Uma tatuagem caseira, fina e antiga, com pouca tinta, pode perder boa parte da cor logo no primeiro atendimento. Uma peça que vai receber um cover up de traço forte às vezes precisa só de uma ou duas passadas para que o tatuador consiga trabalhar por cima. E quando o problema é pontual, como uma letra errada, uma data ou um nome no meio de um desenho maior, o laser trata só aquele trecho, sem mexer no resto.
Depois de uma sessão a tatuagem fica mais apagada e levemente acinzentada, e o resultado real só aparece semanas mais tarde, quando a pele termina de eliminar a tinta. Julgar no dia seguinte, com a área ainda vermelha e inchada, não diz nada.
Clínica de remoção de tatuagem perto de mim: como escolher
Ficar perto importa, porque você vai voltar muitas vezes ao longo de um ou dois anos, mas não é o primeiro critério. Pergunte quem vai operar o laser e qual a formação dessa pessoa, se há médico responsável pela clínica, se o estabelecimento tem licença da vigilância sanitária e se o aparelho tem registro na Anvisa. Peça também o nome do equipamento e os comprimentos de onda disponíveis; se a sua tatuagem tem verde ou azul, a clínica precisa explicar como vai tratar essas cores.
Uma boa primeira consulta examina o fototipo, o local, as cores e a densidade da tinta, pergunta sobre a sua saúde e sobre remédios que deixam a pele sensível à luz, e faz um teste numa área pequena. Você deve sair dela com a estimativa de sessões, o intervalo, o valor total ou do pacote e as orientações de cuidado por escrito.
O clima da sua cidade entra no calendário. Pele bronzeada não pode receber o disparo, porque a melanina recém-produzida disputa a energia com a tinta e aumenta o risco de mancha. Em Recife e no resto do litoral nordestino, onde o sol forte não dá trégua, isso significa protetor e roupa sobre a área durante todo o tratamento; em Porto Alegre, os meses frios são uma janela natural para concentrar as sessões, longe do verão de praia. Nos dois casos, a clínica responsável remarca o atendimento se a pele chegar queimada.
Fuja de pomadas que prometem apagar a tatuagem e de receitas caseiras com sal, ácido ou lixa. A tinta está na derme, abaixo de onde qualquer creme age, e a FDA, agência sanitária dos Estados Unidos, não aprovou nenhum produto do tipo e alerta para irritação, queimadura e cicatriz. Os removedores aplicados com a máquina de tatuagem, à base de soluções salinas ou ácidas, também ferem a pele em volta do pigmento e dão resultados irregulares, com risco maior de marca. A retirada cirúrgica é a exceção com uso real: tatuagem pequena, em pele com folga para fechar, quando você prefere uma cicatriz fina a dois anos de consultas, e essa conversa é com um cirurgião plástico ou um dermatologista.
Cobrir em vez de remover: cover up e blackout
Cover up não é desenhar por cima, e sim criar uma peça nova pensada para que o olho leia o desenho novo e não o que está embaixo. A tinta antiga continua na derme, e com luz rasante uma mancha grande de preto velho ainda se adivinha sob quase tudo. Os tatuadores trabalham com três regras que limitam o projeto antes de você escolher qualquer coisa: maior, porque a peça nova costuma precisar de bem mais área do que a antiga; mais escura, porque tom claro não cobre tom escuro; e mais carregada, porque detalhe e irregularidade quebram a sombra, enquanto degradês lisos e retas a denunciam.
Daí vem um paradoxo incômodo. Os estilos que melhor cobrem, como blackwork, tribal, oriental e tradicional de preenchimento sólido, são também os mais difíceis de remover depois, então todo bom cover up é uma aposta de que aquela é a última decisão sobre aquele pedaço de pele. Fine line, aquarela e minimalista quase nunca cobrem nada, e um tribal pequeno e escuro não vira um floral delicado sem clarear antes; quem devolve essa opção não é um tatuador melhor, e sim duas ou três sessões de laser. Nome de ex é o caso clássico: o olho procura letras e as encontra entre folhas e penas, então o caminho que mais funciona é clarear o nome e cobrir com algo denso e orgânico, nunca com outro texto.
O blackout preenche a área inteira de preto, cobre qualquer coisa em algumas sessões longas e, para certas pessoas, é a estética desejada, não um remendo. Como último recurso, merece mais cautela do que costuma receber. Por cima dele só cabe tinta branca, que é pouco confiável; é a coisa mais difícil de remover que existe; o preto extenso vai ficando cinza esverdeado e manchado com os anos e pede retoque; e ele esconde pintas e mudanças da pele de você e do seu dermatologista.
Depois do laser: como fica a pele
Logo depois do disparo a área fica branca, como se tivesse geado, por alguns minutos; é gás que se forma na pele e se desfaz sozinho. Em seguida vêm vermelhidão, inchaço e uma sensação de queimadura de sol, e em muita gente aparecem bolhas nas primeiras horas ou dias, às vezes com pontinhos de sangue. É a reação esperada de uma ferida superficial, e o cuidado é o de ferida: limpa, coberta conforme a orientação da clínica, sem estourar bolha nem arrancar casquinha, e longe do sol entre as sessões.
A longo prazo, o mais comum é a pele tratada ficar um pouco mais clara que a de volta ou, sobretudo em pele morena e negra, um pouco mais escura. Muitas vezes essa diferença se iguala com os meses, nem sempre por completo. Também é frequente sobrar um fantasma do desenho, uma sombra leve do contorno quando quase não resta tinta. Cicatriz não é o normal com laser bem operado, mas está entre os riscos, junto com infecção, e fica bem mais provável quando a bolha é estourada. Se algo piora em vez de melhorar, ou não fecha no prazo combinado, volte à clínica ou procure um dermatologista.
Perguntas frequentes
Remover tatuagem dói mais do que fazer?
A maioria diz que sim, mas por pouco tempo. A sensação lembra um elástico quente estalando na pele, e uma sessão dura minutos, não horas. As clínicas costumam usar ar frio, gelo ou pomada anestésica, e os lugares que doeram mais na tatuagem, onde a pele é fina e o osso está perto, são os mesmos que mais incomodam sob o laser.
Quantas sessões a minha tatuagem vai precisar?
Clínicas e guias costumam falar em seis a quinze, com oito a doze como resposta mais comum. A faixa é larga porque o número depende de seis coisas: o tom da sua pele, o lugar do corpo, as cores, a quantidade de tinta, se já existe cicatriz e se a tatuagem cobre outra. Uma consulta presencial com teste é o mais perto de uma previsão que você vai conseguir.
Quanto tempo leva para remover uma tatuagem por completo?
Na maioria dos casos, de um a dois anos, porque as sessões ficam a seis ou oito semanas uma da outra para o corpo eliminar a tinta quebrada. Se a ideia é fazer outro desenho no mesmo lugar, converse com a clínica e com o tatuador um ano antes de quando você quer a peça nova.
Como saber se um cover up vai esconder a minha tatuagem?
Fotografe a tatuagem que você já tem e coloque o desenho novo por cima, em tamanho real, no simulador do InkCraft. Dá para ver na hora se ele cobre com folga ou se vale clarear com laser antes de levar a ideia ao tatuador.
Veja na sua pele antes de decidir
O InkCraft coloca qualquer um destes desenhos sobre uma foto sua, ajustado e envolvido na parte do corpo que você escolher, para você julgar antes que seja permanente.
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