Tatuagem dói? Onde dói mais e onde dói menos
Por Uladzimir TumanauAtualizado em
Tatuagem dói, mas a mesma agulha que arranha de leve a parte de fora da coxa parece uma ferroada de vespa na costela. A diferença vem de três coisas debaixo da pele, e você pode conhecê-las antes de escolher o lugar.
Por que a tatuagem dói mais em alguns lugares
Mesma agulha, mesma máquina, mesma hora de trabalho, e ainda assim a sensação muda por completo conforme a região. Três características do lugar explicam quase tudo.
A primeira é a quantidade de terminações nervosas. Onde há mais nervos por centímetro quadrado, a dor fica mais aguda, quase elétrica, como na parte de dentro do pulso e nos dedos. A segunda é a distância até o osso: pele colada no osso vibra com a máquina e leva o zumbido para dentro, e em canela, esterno, clavícula e tornozelo a sensação é de algo ressoando, não só de corte. A terceira é a espessura e a mobilidade da pele, porque pele fina e elástica, como a da axila, a de trás do joelho e a da parte interna do bíceps, dói mais do que a pele grossa e firme da coxa, da panturrilha e da parte alta das costas.
Os lugares que mais doem juntam pelo menos duas dessas características, e costela e esterno são os exemplos de manual: pele fina direto sobre o osso, com muitos nervos. Vale lembrar que dor é pessoal, e o que vem a seguir é o consenso aproximado entre tatuadores e clientes, não uma medida médica.
A escala de dor da tatuagem, de 1 a 10
As escalas de dor de tatuagem dão notas de 1 a 10 sem nenhuma precisão de laboratório, e servem para comparar regiões, não pessoas. De 1 a 3, a dor é leve: incomoda nos primeiros minutos e depois dá para ler um livro. De 4 a 6, é moderada, claramente dolorida, mas uma sessão normal se faz sem anestésico. De 7 a 8, é alta, você sente cada passada e vai querer pausas. De 9 a 10, é extrema, e a maioria aguenta, só que não por muito tempo, então a sessão costuma ser dividida.
As notas deste guia são médias grosseiras. A sua escala pode subir ou descer um ou dois pontos conforme a sua tolerância, o dia, a noite de sono e a mão de quem tatua.
Onde a tatuagem dói menos
Na escala de 1 a 10, a parte de fora da coxa fica por volta de 2 e serve de referência do suportável: pele grossa, muito músculo e osso longe. A parte de fora do braço, protegida pelo deltoide, está no mesmo patamar e costuma ser a recomendação para a primeira tatuagem.
Um degrau acima, por volta de 3, ficam a parte de fora do antebraço, a panturrilha e o ombro, onde o músculo absorve a vibração. A panturrilha aguenta sessões longas sem drama, desde que o desenho não encoste na canela, que é outra história. A parte alta das costas, sobre as escápulas, fica em torno de 4, assim como a parte de fora do bíceps; nas costas, a dor sobe perto da coluna e debaixo da alça do sutiã. A lombar também anda pelo 4, mais tranquila nas laterais e mais aguda à medida que o desenho chega perto da coluna e do osso.
Se o critério para a primeira tatuagem for sentir menos dor, coxa e braço por fora são as escolhas mais gentis. As duas regiões ainda oferecem área de sobra, o que evita o outro erro comum da estreia: um desenho pequeno demais para o detalhe que carrega.
Antebraço interno, pulso, peito e barriga: a faixa do meio
Entre 5 e 7 ficam as regiões em que a dor é clara, mas uma sessão comum se faz. A parte de dentro do antebraço está por volta de 5, com mais nervos do que a de fora, e o quadril, sensível sem ser cruel, também, até o desenho chegar ao osso ou à dobra. O peitoral fica em torno de 6 e dispara perto do esterno; a lateral do pescoço, também 6, é sensível mas viável, enquanto a garganta e a nuca ficam acima.
Em 7 estão a parte de dentro do bíceps, de pele fina e cheia de nervos, que parece outra região comparada com a de fora; o dorso da mão e os dedos, ossudos e com tinta que desbota rápido; o peito do pé, que incha e demora a cicatrizar; atrás da orelha, com pele fina sobre o crânio e o barulho da máquina logo ali; e a barriga. A barriga surpreende quem imaginava algo macio e fácil, porque a pele fina sobre uma superfície que cede produz uma dor estranha, ondulada, que muita gente põe acima do esperado.
No pulso, a parte de dentro é fina e cheia de nervos e chega a 7; na de fora, o que pega é o ossinho saliente, e o resto costuma ser mais tranquilo. Em compensação, as peças ali quase sempre são pequenas e terminam rápido.
Onde dói mais tatuagem: costela, esterno e atrás do joelho
Entre 8 e 10 estão os lugares que muita gente deixa para quando já sabe como o próprio corpo reage. Tornozelo, joelho, cotovelo, canela, clavícula e coluna ficam em torno de 8, com osso logo abaixo de pele esticada. Nas articulações, a dobra dói mais do que a parte saliente: a parte de dentro do cotovelo mais do que a ponta, a de trás do joelho mais do que a patela. Na coluna, a vibração corre para cima e para baixo, e sessões longas ali têm fama de ser duras.
Costela e esterno chegam a 9, com pele fina direto no osso e nenhum acolchoamento; na costela, cada respiração ainda mexe a área debaixo da agulha, e até uma passada de cinco minutos parece longa. A parte de trás do joelho fica no mesmo patamar, e há quem a coloque acima da costela: pele fina que dobra e estica a cada passo, num ponto com um feixe de nervos exposto. Axila, virilha e a parte interna da coxa completam o grupo, todas finas, sensíveis e difíceis de posicionar.
O 10 fica para a cabeça, onde o osso está logo abaixo de uma pele fina e a máquina soa alto e forte, e para a palma da mão e a sola do pé, com nervos demais e uma pele que se renova tão rápido que a tinta pode sumir em meses. Muitos tatuadores nem aceitam esses dois lugares, e quem aceita já conta com retoques.
A duração pesa tanto quanto o lugar
Meia hora num ponto de nota 9 pode ser mais fácil do que cinco horas num ponto de nota 3, porque o cansaço se acumula. A primeira hora costuma ser a mais tranquila, e entre a terceira e a quarta a maioria das pessoas começa a precisar de pausas de verdade. Se um desenho num lugar difícil vai passar de duas horas, dividir em duas sessões costuma ser a escolha mais sensata.
Entre uma peça curta num lugar dolorido e uma longa num lugar confortável, a longa quase sempre é o dia mais pesado. A famosa onda de endorfina existe, mas não aparece para todo mundo, então não conte com ela. E num braço fechado ou nas costas inteiras, o que desgasta não é um ponto específico, e sim a soma das horas.
Como aguentar melhor a sessão
Durma bem na noite anterior, porque corpo cansado lida mal com a dor, e faça uma refeição de verdade uma ou duas horas antes: com o açúcar do sangue baixo, tudo fica mais agudo e a tontura chega fácil. Beba água e fique 24 horas sem álcool, que afina o sangue, atrapalha o trabalho do tatuador e piora a ardência do dia seguinte.
Durante a sessão, respire devagar e solte o ar longamente na passada mais aguda, porque prender a respiração piora. Fone de ouvido com música, podcast ou audiolivro dá à atenção outro lugar para ficar. Peça pausa quando precisar: em sessões de mais de uma hora, um bom tatuador já conta com elas, e trabalhar em pele tensa é pior para o desenho.
Pomadas anestésicas com lidocaína podem tirar o pico da primeira hora em regiões muito sensíveis, mas perdem efeito e não chegam fundo o bastante para sessões longas. Combine antes com o tatuador, sem surpresa: alguns não trabalham sobre pele anestesiada, porque a textura muda e a tinta pode assentar diferente, e outros aceitam só produtos em que confiam.
O que incomoda mais do que a agulha
Para muita gente, a surpresa da primeira tatuagem é que a agulha nem é o pior. A coceira da segunda semana vem forte e não pode ser resolvida com a unha, e há quem a descreva como pior do que a sessão. Dormir sem deitar em cima da tatuagem muda as noites por uma semana, e queimadura de sol sobre a pele em cicatrização dói de verdade e ainda pode estragar o trabalho.
Também tem os esbarrões: batente de porta, aparelho de academia, o rabo do cachorro. Planeje o lugar e a data em volta da sua vida, e não o contrário, porque tatuagem no pé dois dias antes de uma trilha, ou na costela na semana de um voo longo, é pedir para sofrer à toa.
Perguntas frequentes
Tatuagem na costela dói muito?
Dói, e está entre os lugares mais doloridos do corpo, por volta de 9 na escala. A pele é fina, o osso está logo abaixo e a respiração mexe a área o tempo todo. Desenhos grandes ali costumam ser divididos em sessões mais curtas.
O que dói mais, tatuar no osso ou na parte com músculo?
No osso, quase sempre. Pele fina sobre osso, como na costela, no esterno, na canela e no tornozelo, é a combinação mais difícil; regiões com músculo e um pouco de gordura absorvem a vibração, e a dor fica mais surda.
Posso tomar remédio para dor antes de tatuar?
Pergunte ao seu médico antes, principalmente se você usa algum remédio todos os dias. Muitos estúdios pedem para evitar ácido acetilsalicílico e ibuprofeno, porque podem aumentar o sangramento, e quem toma anticoagulante precisa da orientação do médico e deve avisar o tatuador.
A dor diminui depois da primeira tatuagem?
A maioria diz que a tolerância melhora com a experiência, sobretudo porque a pessoa já sabe o que vem e fica menos tensa. Um lugar difícil, porém, continua difícil na quinta tatuagem.
Quando devo avisar o tatuador sobre a minha saúde?
Antes de marcar, se você estiver grávida, usar anticoagulante, tiver feito cirurgia recente, estiver numa crise de doença autoimune ou tiver alguma condição de pele na região. Ele pode ajustar o plano ou sugerir outra data, e na dúvida a conversa começa pelo seu médico.
Como comparar um lugar que dói menos com o que eu queria?
Escolha um desenho parecido com o seu na biblioteca do simulador do InkCraft e coloque sobre fotos das duas regiões do seu corpo, em tamanho real. Muitas vezes a coxa ou o braço por fora valorizam o desenho tanto quanto a costela, com bem menos sofrimento.
Veja na sua pele antes de decidir
O InkCraft coloca qualquer um destes desenhos sobre uma foto sua, ajustado e envolvido na parte do corpo que você escolher, para você julgar antes que seja permanente.
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